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Enobrasil 2017: Além do Vinho Nacional

Por Guto Martinez

Houve um tempo em que o brasileiro não tinha acesso ao que o mundo tinha de melhor nos campos vinícola e gastronômico, devido a um protecionismo que nos forçava a aceitar contrabandos de preço elevado, similares nacionais ou produtos muito inferiores que conseguiam chegar ao nosso alcance, nos deixando na mediocridade gustativa. Passado esse período, e após muitos adquirirem parâmetros mais críticos, é hora de conhecer um novo panorama: os produtos brasileiros de qualidade mundial.

 

Um dos melhores eventos para reconhecer esta mudança na produção nacional foi o Enobrasil, evento realizado em São Paulo em Agosto de 2017 sob a tutela da sommelière Mikaela Paim. Foi possível conhecer ao menos duas diversidades de azeites produzidos no nosso país, algo até pouco tempo impensável, bem como uma grande diversidade de queijos premiados internacionalmente, além, claro, do trabalho mais recente de vinícolas que vêm aprimorando seus conhecimentos de terroir e apresentando produtos cada vez mais bem acabados.

 

É verdade que ainda temos um longo caminho a percorrer antes de dizer que somos um grande produtor de qualquer desses produtos, à exceção do queijo - graças à produção mineira de queijos de altíssima qualidade, principalmente. Mas também não se pode negar que já possuímos produtos capazes de conquistar paladares mais exigentes e virar cabeças para este lado da América do Sul, principalmente no setor de espumantes, onde já temos grandes exemplares premiados.

 

Alguns dos melhores exemplos vêm da Vinícola Rio Sol, localizada em Pernambuco, que mostrou seu novíssimo Brut Branco Premium, que passa por 9 meses de autólise e resulta num produto de paladar muito límpido, elegante e fresco, além de um tinto surpreendente, o Rio Sol Premium, feito com um corte de Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Syrah, Alicante Bouschet e Aragonês.

 

Outra surpresa veio de um pequeno produtor de Amparo - SP, a Terrassos, que começou a produção de uvas Syrah, tanto varietal quanto num corte com a uva Máximo, desenvolvida pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) a partir das variedades Seibel 11342 e Syrah, além de começar um trabalho com a Sauvignon Blanc. Uma das maiores curiosidades, que é única no mundo do vinho, é que são feitas duas colheitas no ano, sendo que o vinho é um resultado de corte dessas duas vindimas, algo inédito no mundo do vinho.

 

Entre os azeites, foi possível comparar a produção da Vikaz, cujo trabalho se iniciou em 2007 e hoje apresenta também azeitonas em conserva e chá de folhas da oliveira, com o Borriello, que já pode ser encontrado em algumas casas especializadas de São Paulo. É notável que o produto possui características próprias, decorrentes da adaptação de variedades de azeitona mais apropriadas ao nosso território, cuja plantação tem passado da fase experimental para alcançar um momento de produção comercial.

 

Mais que difundir o produto nacional, a Enobrasil possui um papel fundamental de mostrar que temos competência para enfrentar condições por vezes adversas para chegar a patamares de excelência reconhecidos internacionalmente, mesmo quando feitos por pequenos produtores de lugares quase desconhecidos. Uma iniciativa que merece todos os parabéns! 





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