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Desvendando o Catena Alta

 

Por Guto Martinez

 

Poucas regiões vinícolas do mundo guardam uma identidade tão grande quanto Mendoza e a Malbec. Originária de Cahors, na França, essa variedade possui uma relação de mão dupla com a região argentina, onde possui a sua produção mais expressiva: por um lado, é de lá que hoje saem os seus melhores varietais; por outro, ela colocou toda a produção argentina em evidência.

 

Entre tantos produtores, um dos nomes mais facilmente identificado com a produção de grandes Malbecs está a Catena Zapata, que possui no seu rótulo Catena Alta um dos melhores exemplos de qualidade e equilíbrio entre a exuberância da uva e a elegância de um bom vinho.

 

A história por trás desse vinho se mistura com o passado recente da própria Argentina: seu fundador, Nicolás Catena, fugiu da violenta ditadura para os Estados Unidos, onde lecionou economia na Califórnia e entrou em contato com as técnicas mais modernas de produção de vinhos. Ao voltar para o seu país, foi responsável por tantas inovações que toda a produção de vinhos da América do Sul foi afetada de forma positiva.

 

 

A partir de uma maior integração entre produtores e vinificadores, Catena partiu à busca de um vinho mais próximo ao estilo bordalês, semelhante ao que ele teve contato na Califórnia, mesmo usando a Malbec já difundida na Argentina. Daí surgiram o Angelica Zapata, primeiro varietal de Malbec da casa (vendido na Argentina); o Catena Alta, varietal de Malbec pensado para o mercado norte-americano, e o Nicolás Catena, este feito com a Cabernet Sauvignon, mas com o intuito de se mostrar o potencial da vinícola numa uva mais familiar ao mercado.

 

 

O sucesso do Catena Alta rapidamente atraiu atenção da imprensa especializada, que colocou este rótulo como um dos mais bem avaliados do país, reconhecido como o primeiro grande Malbec de classe internacional, pois reúne potência e elegância com uma complexidade dificilmente igualada por outros exemplares.

 

 

Num evento inédito realizado na presença de alguns dos maiores conhecedores de vinho do Brasil, a Catena Zapata se juntou à importadora Mistral para mostrar os cinco vinhos responsáveis por formar o blend do Catena Alta, na primeira degustação do tipo feita fora da vinícola para jornalistas.

 

 

As cinco parcelas foram apresentadas como vinhos distintos, o que é possível porque cada terroir é vinificado em separado antes da composição do produto final, em proporção não revelada. A safra degustada é a de 2013, considerada boa tanto em volume quanto em qualidade, e marcada por um frio prolongado que permitiu manter as uvas nos pés por 15 dias além do programado, conferindo acidez e ganho de intensidade.

 

Notas de Degustação

 

Os lotes seguem uma crescente de altitude, com exceção dos 2 últimos.

 

Angélica - Lote 18 - Lulunta

Vinhedo localizado em Maipu com solo bastante calcário, o vinhedo mais baixo - e mais quente, por consequência - apresenta como característica predominante as frutas bem maduras que caracterizam o Malbec argentino.

 

La Pirámide - Lote 4 - Agrelo

Este lote localizado em Luján de Cuyo tem solos parecidos com os de Angélica, mas com mais capacidade de retenção de calor. Caracterizado por aromas de frutas negras e mais especiadas, com uma nota de pimenta preta.

 

Nicásia - Lote 1 - Paraje Altamira

Lote de San Carlos, ao sul do Vale do Uco, uma região que não tem tanta tradição na produção de Malbec. Um pequeno lote de 6 acres, possui temperaturas bastante baixas no inverno, com rendimento bem menor do vinhedo, mas com mais intensidade, potência e taninos. Nariz com mais alcaçuz, mineralidade, boca bastante intensa e com alguma salinidade, mas sem perder o caráter do Malbec.

 

Adrianna - Lote 9 - Tupungato Alto

Um dos primeiros lotes, teve início da plantação dos primeiros clones em 95, num terreno muito irregular nas características e que resulta em lotes com parcelas totalmente diferentes, algumas a metros das outras, devido a um perfil geológico bem distinto. Por ser uma região bastante fria, as uvas amadurecem devido à incidência dos raios UV na casca, resultando em um vinho com muita mineralidade, frutas bastante frescas, perfil aromático mais discreto, com ligeiro floral. 

 

Adrianna - Lote 3 - Tupungato Alto

Solo mais arenoso, menos profundo, que acaba resultando num controle natural dos rendimentos. Mais potente, estruturado e concentrado, apresenta maior concentração tânica, mas sem a explosão de frutas maduras dos lotes Angélica ou La Pirámide, por exemplo.

 

Catena Alta 2013

 

Após degustar cada parcela em separado, é possível notar o papel de cada uma delas na composição de um vinho completo, bem integrado, que possui desde as sensações de delicadeza e mineralidade até a potência das frutas e dos taninos, sempre bem colocados no conjunto. É facilmente identificado como um ícone da produção de uma das melhores vinícolas argentinas.

 

Bônus

 

Adrianna White Stones 2014

Solo mais calcário, com mais de 2 metros de profundidade. Acidez vibrante, traz flores brancas e frutas tropicais (abacaxi) com damasco no nariz. Muito palatável!

 

Adrianna Vineyard Fortuna Terrae 2013

Primeira safra deste vinho, apresenta um perfil mais mineral, com salinidade, algo distinto para um varietal de Malbec. Também possui acidez vibrante, com taninos bem presentes, mas bem trabalhados. Tem no nariz uma nota de evolução mais marcada, com frutas bem maduras.

 

O Catena Alta, um dos ícones de Mendoza, pode ser encontrado no site da importadora Mistral (www.mistral.com.br).

 





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