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Afinal, por que cortiça?

Por Guto Martinez

 

 

A abertura de uma garrafa de vinho com rolha de cortiça é quase um ritual para os amantes do vinho: retira-se a cápsula, prepara-se um saca-rolha (ou pinça), e, com cuidado, a rolha sai do gargalo, para posteriormente ter seus odores analisados, onde há uma primeira aproximação aos aromas da própria bebida. Se identificou?

 

 

Pois embora muitos saibam que esta primeira análise serve para revelar possíveis defeitos da rolha, o que muitos não sabem é que este ritual já indica que se trata de um produto natural, afinal a cortiça é extraída da casca do sobreiro, árvore endêmica da região mediterrânea.

 

 

Este fato, por si só, já serve para revelar o primeiro argumento a favor da cortiça: a questão ecológica, já que o processo de produção das rolhas exige, em primeiro lugar, uma matéria-prima de qualidade, demandando respeito às árvores que levam até 30 anos até a primeira extração do súber (ou casca), chegando a viver em média 200 anos.

 

 

A necessidade de manter tanto as florestas densas de sobreiro quanto as florestas heterogêneas onde o sobreiro ocorre de forma endêmica (os montados) já garante uma cobertura vegetal que chega a quase 737 mil hectares em Portugal, país responsável por praticamente metade da produção mundial de cortiça, e onde a área certificada como produção sustentada pelo "Forest Stewrdship Council" já supera os 100 mil hectares.

 

 

Esta proteção garante a proteção do ecossistema no qual o sobreiro se insere, e que é lar de centenas de espécies de animais e vegetais, como o lince hibérico e a águia imperial, ambos animais em perigo de extinção - e que não são afetados pela extração da cortiça, uma vez que a preocupação principal é a preservação das árvores.

 

 

A produção da cortiça também garante um aproveitamento quase integral da cortiça extraída: as rolhas naturais, que são peças únicas extraídas por brocagem, são apenas um dos tipos existentes, pois também existem as variedades colmatada (rolhas cujos poros necessitam de preenchimento com pó de cortiça), rolhas técnicas (com corpo feito de aglomerado denso de cortiça com discos de cortiça natural nas pontas), rolhas microgranuladas (uma nova geração de rolhas técnicas com granulação específica do aglomerado) e rolhas capsuladas (na qual é colado outro material, como nas rolhas reutilizáveis de vinhos fortificados). Isso, claro, sem falar que a cortiça pode ser usada em diversas outras finalidades, desde revestimento de pisos até em sola de calçados e no isolamento térmico de ônibus espaciais!

 

 

Os avanços tecnológicos na produção e esterilização das rolhas também ajudou a reduzir a incidência de defeitos e pragas, como os fungos que causam o bouchonné nos vinhos, sendo que o Cork Quality Council estima a redução da incidência do problema em 95% entre 2001 e 2014.

 

 

Outro aspecto importante é que a produção das rolhas exige uma especialização muito alta da mão-de-obra envolvida, o que garante alta produtividade e salários recompensadores aos funcionários e colaboradores numa região conhecida por ser uma das mais pobres da União Europeia.

 

 

Com tantas informações positivas, certamente o ritual de extração das rolhas passa a ser um momento ainda mais agradável, já que se trata da única forma 100% ecológica e biodegradável de se fechar uma garrafa - e é melhor ainda aproveitar o vinho com a consciência leve! 





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