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Mundo de Baco


Silvia Franco

 

Rótulos de vinho: da arte ao cômico, uma “apelação” de origem bem ou mal controlada

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Bordeaux-vinhos

O último frisson do mundo de Baco é a revelação de que o próximo rótulo do Château Mouton Rothschild, o da safra 2008, será da responsabilidade de um artista chinês (para ganhar de vez aquele mercado). A especulação tirou o brilho do anúncio do artista encarregado do Mouton Rothschild 2007, o escultor e artista gráfico francês Bernar Venet. Já assinaram seus rótulos, desde 1945, figuras do calibre de Picasso, Braque, Dali, Miró, Chagall, Francis Bacon, Andy Warhol e o Príncipe Charles.


A verdade é que rótulos vendem vinhos, tal como capas vendem livros. No caso do Château Mouton Rothschild, um caso de apelação (ou forma de chamar a atenção) mal controlada, pois o Mouton Rothschild 2008 já tem mais encomendas garantidas do que o de 2007...


Mas há casos de apelação bem controlada: o garagista Jean Luc Thunevin, em visita a São Paulo pela Casa do Porto, nos revelou que seu vinho com o apelativo rótulo Bad Boy (inspirado por Parker, que assim o chama afetuosamente) beneficiou-se logo de início desta apelação, pois os consumidores compravam inicialmente o Bad Boy para dar de presente a um amigo, como uma brincadeira, e voltavam depois por causa do vinho que é bom.

 

Diversos são os produtores que descobriram, principalmente no mercado americano e australiano, as vantagens de um bom rótulo (coisa que editores e livreiros sabem há séculos). Observe o rótulo assinado por Bill Plympton, o Twisted 2006, um vinho do Douro, delicioso e de grande qualidade produzido por Dirk Niepoort. No Brasil, deve levar outro nome, talvez o Redoma, importado pela Mistral? Pois o rótulo deste Twisted 2006 é tão encantador e fantástico quanto o vinho que ele identifica.

 

O Montes Folly 2005 (Viña Montes) com rótulo assinado por Ralph Steadman traduz estética e sensivelmente o prazeroso Shiraz contido na garrafa. Outro rótulo delicioso, também da Viña Montes, é o Montes Cherub, um rosé de syrah, fresco e inebriante de deixar qualquer um em estado de graça. Estes são distribuídos no Brasil pela Mistral.


Há um vinho que faz a alegria de minha irmã, que reside nos States e é grande fã dos vinhos da Puglia. É o Mommy’s Time Out 2008, um Rosso Primitivo, IGT, agradável cujo contra-rótulo declara que “sabemos todos que ser uma Mommy é um trabalho difícil. Por isso Mommy’s Time Out é um bem merecido break”. Comprei, de brincadeira para dar de presente para a mãe de meus sobrinhos, mas o vinho é bom, e voltei a comprar porque é agradável de beber.


Veja no vídeo outros rótulos como o 7 Deadly Zins (de Zinfandel), que brinca com a palavra sin (pecado) e os 7 pecados mortais. Um vinho de preço nada módico nos EUA como vocês podem ver na garrafa, US$ 21.99. Há outros rótulos que alardeiam o prato que melhor acompanham como pizza; e outros remetem às camadas gulosas de um bolo de chocolate.

Alguns rótulos nos EUA me lembram marcas de nossas cachaças: um humor escrachado ou sutil, a depender do público que busca. É aguardar, pois a moda chega logo em nosso país. Afinal, marketing é um pouco daquilo que se dizia antigamente, uma apelação para chamar a atenção.







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