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Após ter saído da escola Cordon Bleu há 18 anos, tive recentemente a fantástica oportunidade de cozinhar com o Chef Patrick Terrien ( meu professor e chef predileto do Cordon Bleu), no Chef Rouge da alameda Bela Cintra, em São Paulo. Um acontecimento digno de nota, pois é a primeira vez que ele cozinha no restaurante de um aluno, embora viaje, visite e coma em diversos restaurantes de alunos ao redor do mundo.
Foi para ambos um momento importante e emocionante. Começamos com a escolha dos pratos: Chef Patrick, como eu o chamo, me enviou uma lista e eu - a partir do que conheço de minha clientela – escolhi os pratos. Depois trocamos mais uns poucos emails com as receitas e detalhes do que era necessário trazer de Paris. Na verdade, não foi necessário trazer nada; entretanto não |
resisti: e pedi que ele trouxesse queijos para comermos juntos, já que Vanessa Fiuza (proprietária do Chef Rouge) e eu amamos queijos.
Os preparativos começaram 2 meses antes para garantir que o Chef Patrick Terrien tivesse os melhores produtos e que estes chegassem bem frescos às suas mãos.
Nosso maior desafio seria cozinhar com uma equipe que não fala francês e eu deveria traduzir suas orientações o tempo todo... Por outro lado, felizmente, e digo com orgulho, minha equipe está há muito tempo comigo no Chef Rouge, por isso basta alguma orientação para que eles trabalhem muito bem.
Entretanto, confesso minha ansiedade e preocupação pela responsabilidade de entregar minha equipe ao chef Patrick Terrien, pois, afinal, foi ele quem me formou e eu estava consciente de que a cada erro ou engano da minha equipe era um erro meu sofrido na pele... Um stress, vocês podem imaginar, porque se eu deixava de traduzir um simples detalhe no meio da confusão (a cozinha pode ser um inferno de calor e de stress para que o seu prato chegue à sua mesa perfeito), quem escutava a reclamação era eu, claro. Foi o caso, por exemplo, de uma água que não deveria ser eliminada, e em algum momento foi. Fui chamada a atenção, lógico, mas foi ótimo para poder mostrar à minha equipe que mesmo após 18 anos, Chef Patrick ainda é meu Chef e que ainda ouço e sempre presto atenção às reclamações ou criticas dele. Assim como faço com a minha equipe.
Tivemos momentos maravilhosos de descontração e muita troca. A equipe amou trabalhar com ele e foi emocionante ver como, apesar de toda a responsabilidade, todos estavam tranqüilos, foram eficientes e tudo correu bem. Lógico eu era a mais pilhada, mas era normal, porque sou sempre assim!
É verdade que ao fim de uma semana eu não conseguia mais traduzir do francês para o português, porque, afinal sou chef não tradutora simultânea e com o stress e cansaço, tudo se torna mais complicado! Tivemos uma semana cheia, ficávamos das 10 horas da manhã até as 23 horas aproximadamente, parando uma hora para almoçar, e alguns dias almoçamos trabalhando, dando entrevistas (eu traduzindo, mais uma vez, claro), sem parar!
Para resumir, em três dias, recebemos no Chef Rouge, apesar do apagão que fulminou o país no final do ano, 280 pessoas que vieram conhecer o Chef Patrick Terrien e sua cozinha, e as receitas da escola Cordon Bleu executadas pelas mãos do meu Chef de uma forma leve, equilibrada e deliciosa.
Decididamente, foi um momento marcante nestes 18 anos de carreira, um presente na verdade que ele me deu, que minha equipe ajudou e que o Chef Rouge me ofereceu. A todos eu sou grata, porque sem eles eu jamais seria uma chef realizada. Quanto à minha equipe de salão e de cozinha, ficaram tão encantados em trabalhar com o chef Patrick Terrien que se despediram dele com um kit brasileiríssimo para fazer caipirinha, além de diversas, envelhecidas e raras garrafas de pinga.
Leia a matéria Cozinhando para o mestre de dezembro na revista Gourmet Life